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Sobrecarga - Meltdowns e Shutdowns

O cérebro não autista consegue filtrar e apenas concentrar-se naquilo que se quer focar, ignorando algumas das experiências sensoriais que recebe.

O cérebro autista pode ter mais dificuldades em filtrar os barulhos, luzes, cheiros, e, portanto, tem que processar tudo ao mesmo tempo. Se o autista nao se conseguir regular, e o input sensorial continuar, entra em sobrecarga.

Os triggers (o que causa) comuns para sobrecarga são:

Excesso de sons (não apenas sons altos, mas às vezes muitas pessoas a falar é doloroso quando temos hipersensibilidade)

Excesso visual (luzes brilhantes, muitas cores ou demasiado a nível visual para processar)

Excesso de toque (muitas pessoas a tocar ou estranhos a tocarem na pessoa)

Mudança na rotina

Dificuldade de comunicação (falta de habilidade para se comunicar pode levar a frustração)

Sobrecarga emocional (sentir demais ou ter que processar as emoções de outras pessoas)

Pode parecer repentino, mas normalmente acontece após um aumento cumulativo da exposição a sensações (ao longo de horas, dias), e mostramos alguns sinais de stress antes:

Ficar não-verbal ou ter dificuldades em falar

Faz mais stims/estereotipias e com maior intensidade (e especialmente prejudiciais, como a magoar-se)

Permanecer muito parado ou não responder

Parecer irritado, assustado ou nervoso

Cobrir as orelhas, nariz, olhos

Não ser capaz de mascarar, como ficar sem expressões faciais (cara em branco)

Existem mais sinais, mas dependem inteiramente da pessoa. Pergunte-lhes quais são os sinais do autista e o que costuma causar meltdown, para que possa identificar e evitar triggers.

Tipos de Sobrecarga

Meltdowns

Os meltdowns acontecem quando há uma sobrecarga do cérebro autista, tornando-o incapaz de processar quaisquer outros estímulos, o que aumenta o stress, que será exteriorizado como perda de controlo e gritos, choro, auto-agressão ou agressividade. Shutdowns são uma situação de fuga, os meltdowns são a reacção de luta. Quais os mais comuns depende inteiramente da pessoa.

Isso não é ser “mau”, fazer birra ou se comportar mal, é uma reacção à sobrecarga neurológica e está fora do nosso controle. Uma birra é um comportamento manipulador de crianças com um propósito, mas um meltdown é uma reacção neurológica sem nenhum objectivo ou capacidade de escolher quando acontece.

Esteja ciente de que, na maioria das vezes, não seremos verbais e teremos dificuldade para entender ou processar o que está ao nosso redor e tudo o que tentar comunicar connosco.

Shutdowns 

Os shutdowns são um meltdown interno. São episódios de sobrecarga sensorial, levando a pessoa autista a desligar e “reiniciar” seus cérebros. Isso significa que quando recebemos muitos estímulos sensoriais (ruído, comunicação, luzes, dor etc.), o nosso cérebro não consegue processar mais nenhuma informação e tem que se desligar para descansar, como um computador com varias janelas abertas. Pode ser gradual (exposição contínua a estímulos sem pausas faz com que haja incrementos com o tempo) ou imediato (estímulos sensoriais muito fortes).

Os shutdowns são mais difíceis de detectar porque são internos. Pode parecer que o autista esta a:

– “zoning out”, 

– adormecer/parecer exausto, 

– Esconder-se/posição defensiva do problema sensorial

– Silêncio

– Não ser capaz de se comunicar, ou comunicar menos e com frases breves

– Deitar-se em uma superfície plana

– Manter-se completamente imóvel

Como ajudar durante uma sobrecarga?

Após o meltdown, podem-se sentir envergonhados e é importante reafirmar que isso é normal e que não há nada que se envergonhar. Julgarem só farão a pessoa autista se sentir pior por algo que ela não pode controlar ou evitar. Além disso, os colapsos são exaustivos e a pessoa pode sentir necessidade de descansar ou dormir. Permita que façam isso, pois a exaustão pode levar a shutdowns. Pergunte-lhes se há algo que pode fazer para ajudar, como dar-lhes algo para beber/comer, brinquedos stims, cobertor pesado.

Tente desligar qualquer som, luz que possa estar a causar o meltdown

Encaminhe o autista para um local seguro, mais silencioso e privado, para que se possa acalmar.

Algumas pessoas autistas gostam de brinquedos stim ou cobertores pesados, dê-lhes se possível.

Não espere comunicação. Muitas pessoas não falam e não conseguem articular o que querem. Se realmente precisa perguntar algo, faça uma pergunta de sim ou não.

NÃO toque na pessoa. Embora às vezes um abraço apertado possa ajudar, qualquer toque é sensorial e pode piorar o meltdown. Quando estiverem bem, pergunte se pode tocá-los. Se não sabe, não o faça.

Seja paciente. Deixe-os se acalmarem no seu próprio tempo.

Não fique chateado ou frustrado. Isto não é uma birra e a sua reacção emocional será outra coisa que terão que process

Como ajudar depois de uma sobrecarga?

Após o meltdown, podem-se sentir envergonhados e é importante reafirmar que isso é normal e que não há nada que se envergonhar. Julgarem só farão a pessoa autista se sentir pior por algo que ela não pode controlar ou evitar. Além disso, os colapsos são exaustivos e a pessoa pode sentir necessidade de descansar ou dormir. Permita que façam isso, pois a exaustão pode levar a shutdowns. Pergunte-lhes se há algo que pode fazer para ajudar, como dar-lhes algo para beber/comer, brinquedos stims, cobertor pesado.

De espaco e tempo para se recuperar. A sobrecarga deixa em geral, os autistas exaustos e podem precisar de algum tempo para recuperar totalmente.

Converse com o autista sobre como se sentem durante para compreender melhor como ajudar

Pergunte o que pode fazer para ajudar e como proceder quando acontecer.

Pergunte sobreo que causa, se as sons, luzes ou emoção são os principais triggers, poderá prevenir na próxima vez

Evite levá-los a lugares com esses triggers. Se nao conseguir evitar, permita que o autista utilize fones canceladores de ruido, brinquedos stim, e outros que possam ajudar a regular.

Aprenda a detectar se se esta a sentir sobrecarregado

Defende-os se alguém for rude com eles. Capacitismo e comum e nem toda a gente conhece um meltdown. Podem tentar repreender ou discutir com o autista. Se puder, defenda-os, visto que depois de um meltdown o autista pode ainda estar nao falante.