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Estereotipias, Rotinas e Interesses

Estereotipias ou Stimming

As estereotipias nos autistas tem uma função. Algumas terapias tentam retirar a estereotipia dos autistas. A não ser que a estereotipia magoe o autista ou aos outros (e nesse caso pode ser gerido e redirecionado para um não nocivo), é essencial para a nossa regulação. Função da estereotipia de acordo com a comunidade autista:

Acalmar a ansiedade

Comunicação de estado emocional e sensorial

Aumentar o foco e concentração

Gestão emocional

Gerir disfunção sensorial

Gerar consciência do próprio corpo

Rotinas

A pandemia trouxe incerteza e receio em relação à nossa saúde e ao bem-estar dos nossos entes queridos, e com ela o aumento da ansiedade. Todos sabemos o impacto massivo do confinamento na nossa regulação emocional, tanto em adultos como em crianças..
Os autistas são mais sensíveis ao ambiente e às coisas que acontecem ao seu redor e a nossa rotina permite-nos ter um pouco de controlosobre nossa energia limitada, experiências sensoriais e ambiente global., A ocorrência de mudanças poderá ser um fator significativo na presença de ansiedade, que pode, por sua vez, gerar uma resposta bastante forte. Essas mudanças, por causa destasensibilidade, muitas vezes são interpretadas como uma ameaça, uma ameaça a si mesmo, à sua segurança e bem-estar, e à sua capacidade de controlar o seu ambiente.
Essa resposta chama-se “Lutar, fugir ou congelar”. Quando sentimos uma ameaça, o nosso cérebro entra em ação para responder a essa ameaça, preparando-nos para lutar, para fugir, ou, se não houver nada que possamos fazer para resolver a situação, congelar. Cada um de nós recorre, tendencialmente, a uma destas respostas com maior frequência, quando confrontados com situações de potencial ameaça.
Algo importante para nós é reduzir essa perceção de ameaça no seu ambiente, para gerir melhor a nossa ansiedade.

Estratégias para gerir a rotina:

Introduzir algo novo associado a algo que já está na nossa rotina normal

Associar algo novo a uma parte já estabelecida da rotina pode ajudar a lembrar, introduzindo assim algo novo. Por exemplo, se tiver um medicamento novo para tomar, associe ao pequeno-almoço, e assim quando for tomar o café lembra-se. Obviamente, se não tomar o café, poderá não se recordar desta nova mudança; no entanto, esta associação permite a introdução de algo novo, de uma forma menos stressante e dolorosa.

Utilizar uma app (para adultos)

Existem diversas aplicações para gestão de tempo e programar coisas específicas como, por exemplo, alertas para beber água.

Quadros visuais e calendários para o dia-a-dia

Existem vários calendários e quadros visuais disponíveis na Internet para definir a sua programação diária de forma a que o autista saiba o que esperar do seu dia. Pode imprimir facilmente em casa as dicas visuais necessárias e adicioná-las a cada dia da semana. Se estiver a construir um quadro de rotinas para o seu filho, será importante envolve-lo nesta tarefa, para que a rotina seja introduzida de forma mais tranquila.

Quadros para alimentação ou regulação emocional

Pode também preparar um desses quadros para mostrar o que tem programado para a comida durante a semana (até pode colocar fotos da comida em cada dia da semana), especialmente se tiver seletividade alimentar, e para identificação emocional (para perguntar como se está a sentir).

Desenvolver processos e fazer sempre da mesma forma

Tente desenvolver um processo específico para cada coisa que o autista tem que fazer, e repita sempre da mesma forma, por exemplo, tomar banho sempre da mesma forma (primeiro champô, depois sabonete líquido) ou ir a casa de banho (baixar as calças, baixar a roupa interior, sentar, etc.). Se necessário, poderá afixar imagens desta sequência no local onde é habitual ela ocorrer.

Auto-regulação

Se houver uma mudança a nível de rotina, deixe o autista autorregular-se, o que pode implicar estereotipias. Permita algum tempo para processar a mudança, e a gerir.

Co-regulação

As crianças autistas são particularmente sensíveis à emoção e ao nível de excitação das pessoas ao seu redor, especialmente de adultos. A co-regulação é o processo pelo qual podemos apoiar uma criança para regular o seu nível de excitação e as suas emoções por meio dase nossas próprias emoções e nível de excitação. Quando tentamos ajudar uma criança que está angustiada, quando também estamos num estado alterado, é muito provável que resulte num aumento do stress da criança, porque se vai “alimentar” da emoção e do nível de excitação que estamos realmente a retratar naquela situação.

Aparente estar calmo, através da sua postura e tom de voz, mesmo que não esteja, e dessa forma ofereçe à criança uma base segura e apoio, o que ajuda a regular as suas emoções. Mesmo que considere que não existe razão para o stress da criança, evite mostrar-se frustrado, pois isso poderá exacerbar a situação.

Tome conta de si

Durante a pandemia, todos os estados emocionais estão alterados, e ajuda manter-se mais alerta ao seu próprio stress e necessidades emocionais. Ninguém consegue gerirtodas as situações na perfeição, mas quanto mais conscientes estivermos do que precisamos para nos mantermos calmos e repor a nossa energia, mais controlo teremos do nosso ambiente.

Máscaras

A utilização de máscara por pais e outras pessoas com quem a criança entra em contacto, pode gerar bastante ansiedade, pela incerteza de quem está por detrás da máscara. Alguns autistas têm também dificuldade em reconhecer rostos, e em interpretar emoções a partir de expressões faciais. Se é profissional de saúde, considere utilizar uma foto do seu rosto sem a máscara facial num cordão, ou impresso na máscara – isto poderá realmente ajudar uma criança autista a sentir-se mais segura e confortável na sua presença. 

Interesses Especiais

Interesses não são necessariamente comboios, como o estereotipo indica. Num questionário com 400 autistas, estes foram os interesses mais comuns. No entanto, o interesse com mais menções, Música, apenas teve em 20% das respostas, indicando que os interesses são incrivelmente diversificados.