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O que é o Autismo ?

O Autismo não é uma doença.
O Autismo é uma condição neurológica de desenvolvimento, o que significa que o nosso cérebro é diferente, por se ter desenvolvido de forma diferente, comparado com o dos não autistas.

Os traços típicos de autismo são:

1

Dificuldade de reciprocidade emocional, ou seja, iniciar uma conversa com outras pessoas, manter o fluxo de conversa, partilhar interesses e interagir socialmente.

2

Dificuldade com comunicação não verbal, ou dificuldade em entender, descodificar e replicar a linguagem corporal, o contacto visual, a expressão facial, os gestos, etc.

3

Dificuldades em desenvolver, manter e compreender relacionamentos.

4

Movimentos motores estereotipados ou repetitivos, ou uso de objetos ou fala, de forma repetitiva e constante.

5

Insistência em manter rotinas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal.

6

Intensidade e foco diferentes em interesses específicos (por exemplo, comboios, política, animais, livros ou algo específico como um comportamento característico de um inseto).

7

Hiper ou hipo-sensibilidade, que são caracterizadas por baixa ou elevada reatividade a estímulos sensoriais, como o som, luz, toque, paladar, dor ou qualquer experiência sensorial.

O Autismo é para a vida toda, mas com apoio e terapia podemos ultrapassar muitas das nossas dificuldades. No entanto, é um espectro, e se conhece um autista, conhece apenas um autista. Somos todos diferentes.
Isto é importante porque muito do esforço nos últimos anos foi em procurar “curas” em vez de compreender como apoiar e ajudar os autistas a verbalizar, socializar e gerirem as suas dificuldades.

Socialização e Comunicação

Estereotipias, Rotina e Interesses Especiais

Sensibilidades Sensoriais

Neurodiversidade

O termo neurodiversidade foi descrito em 1998 pela australiana Judy Singer, socióloga, autista e ativista, que classificou certas condições neurológicas (por exemplo: o autismo) como variações naturais da diversidade humana, e não como doenças ou perturbações. Da mesma forma que existem pessoas de diferentes raças, géneros, cores de olhos, tipos de cabelo, também existem diferentes cérebros e predisposição neurológica (funções: cognitivas, afetivas e percetivas). Para esta investigadora o desenvolvimento neurológico atípico (neurodivergente) para os padrões convencionais de normalidade é um acontecimento biologicamente natural, e necessário. Baseando-se na teoria da evolução de Charles Darwin (1809-1912), em que a variabilidade intra-espécie é crucial para evolução, a neurodiversidade é, um subconjunto da biodiversidade, central para o sucesso da espécie humana. 
O conceito de neurodiversidade engloba indivíduos com várias patologias do neurodesenvolvimento: Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), Perturbação de Hiperatividade de Défice de Atenção (PHDA), Perturbação do Desenvolvimento Intelectual, dislexia, dispraxia, discalculia; e outras patologias neurológicas e psiquiátricas. Os indivíduos autodenominados neurodiversos consideram-se neurologicamente diferentes.

Fonte: Carina Freitas (Médica)
in jm-madeira (16/02/2020)
“A neurodiversidade pode ser tão crucial para a raça humana quanto a biodiversidade é para a vida em geral”
Judy Singer

O que causa o
Autismo?

O Autismo é genético, mas ainda existem algumas variações de genes que não sabemos como se originam.
Quando falamos sobre causas ambientais, NÃO se referem a vacinas, alimentos ou causas ambientais para a criança, mas sim causas ambientais que podem afetar a composição genética ou o desenvolvimento neurológico antes e durante o nascimento (não depois). Os fatores de risco dos estudos mais recentes são os seguintes: idade avançada dos pais no momento da concepção, exposição pré-natal à poluição do ar ou certos pesticidas, obesidade materna, diabetes ou distúrbios do sistema imunológico, prematuridade extrema ou peso muito baixo ao nascer, qualquer dificuldade de parto que leve a períodos de privação de oxigénio no cérebro do bebé e ausência vitaminas pré-natais.
No entanto, esses fatores por si só não são suscetíveis de causar autismo. Em vez disso, eles parecem aumentar o risco de uma criança desenvolver autismo quando combinados com fatores genéticos.