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Setembro Amarelo – Texto de Raquel Tavares Lebre

Só queria estar num estado de adormecimento total. Sem pensar em nada. Sem fazer nada.

A vontade de Ser, estar ou fazer era nula. Mesmo aquilo que realmente gosto: Os meus hiperfocos/interesses especiais. Mesmo os meus compromissos enquanto empresária e co-fundadora de uma associação. Orgulho-me imenso disso e adorava ter capacidade para fazer mais. Um dia tinha forças, no dia seguinte já não.

As mudanças foram gigantes na minha vida, em todas as áreas.

Passaram dias que nada fazia.

Não queria estar assim nesta situação. Na frustração de não conseguir fazer mais.

Sentia-me só sem saber a que dar valor.

Sentia que tinha de ter algo externo para me fazer sair de casa, motivação para trabalhar ou fazer seja o que for.

Sentia que tinha de ter alguém para me dizer fazer as coisas e para me ajudar.

A dualidade e confusão mental eram bastante intensas, pois não queria que assim fosse. Não queria ser assim. Depender de alguém ou seguir o outro ou seguir o que a sociedade incute…fui assim a minha vida toda até então. Não quero mais isso. Quero fazer as minhas coisas por mim. Quero ser livre. Independente e autónoma. Prego isso desde que tenho memória. Sempre foi esse o meu pensamento. Ser livre. Uma das minha tatuagem diz “i’m free’. Está inscrito na minha pele, nas minhas células.

Então onde está essa liberdade? Em mim. Não tenho vontade. Nem forças. Não sei o que é ser livre.

Não sei como cheguei até este ponto.

Quero ser mas não sei como. Não sei o que faço aqui. Perdi-me na dependência emocional.

Como saio daqui? Onde vou arranjar essa força e essa vontade? Quando?

Tenho tantas expetativas dos outros que isso faz-me deambular entre um estado emocional e outro. É tanto o desequilíbrio que só me provoca ansiedade. Esgotamento. E solidão.

Como se deixa de ter expetativas dos outros?

Quando é que eu acordo deste adormecimento de ser? Como se sai daqui? Como e quando vou arranjar essa força e iniciativa de ser livre?

Não quero estar nem ser assim. Adormecida da vida. Só que não vejo como.

Já não sei o que quero Ser. Ou o que na verdade Sou.

O que ando aqui a fazer? O que quero? Qual a minha ânsia? Qual o meu sentido?

Só sei que é isto que sinto todos os dias.

E apenas penso.

Penso nisto tudo e em querer sair daqui. Mas não de uma forma física.

Estou a tentar descobrir como e qual o sentido disto tudo. O que é afinal viver e ser livre?

Raquel Tavares Lebre